Esse cinzento, que agasalha o vento,
Deita sombra em pranto sombrio,
Mas, as nuvens num murmúrio lento,
Segredam-me em sussurro gentil.
Que por mim,o céu hoje chora
Em lágrimas do alto derramado.
Enternece-se da chaga que mora
Escondida ,no meu peito dilacerado.
Percorre sem direção a minha feição,
Num contorno imaginário, conivente
Com a nitidez que reflete a aflição,
Dessa lastima que estila comovente.
No eco dessa compaixão celeste,
Minha dor encontra misericórdia,
Que em surdina, essa me reveste
E a solidão já entoa outra melodia.